Achava que o tempo atenuaria a lembrança
E que, cedo ou tarde, a deixaria
Para se tornar simples memória
Apenas a mais bela das recordações
Mas o tempo passa e ainda vejo teu estandarte
Fincado no mais alto cimo do campo
E quando fecho os olhos e meu passado me visita
Cada vez mais a tristeza aperta meu coração
Quem me dera ter escolhido o caminho de Macrina
Com alegria, teria tomado a penitência
De aguardar, com esperança, o glorioso dia
Em que, enfim, poderia me redimir ao teu lado
Mas, tolo, nem outrora e nem agora
Fui capaz de entender o real valor de tudo
E feri...e fui ferido...em jogos que nunca acabam
Numa busca desesperada por algo que tive...e que perdi
Ah...quem me dera tivesse honrado tua memória!
Se tivesse te amado na hora certa
Ou se tivesse, de fato, guardado o teu legado
Mas ainda hoje o mancho com meu procedimento
Perdoa-me...porque tornei as lembranças melhores
Do que o presente que me recuso a viver
Por usá-las como desculpas para meus fracassos
Em andar no caminho que o Senhor me propôs
Estulto o homem que ama os dias que se foram
Mais do que aqueles que vive hoje
Acaso não é isso que escreveu o Sábio
Nas Escrituras que não podem mentir?
Que daria um homem pela sua vida? Não daria ele tudo?
Pai, livra-me dessa prisão em que me meti
Da culpa que me persegue e me oprime todos os dias
Do remorso e da incredulidade que me esmagam
Que teu Filho pague o meu resgate, pois nada tenho
A não ser a miséria do jogador que sorri por fora
Enquanto sangra por dentro, chorando não por ela
Mas pela própria estupidez que o impede de ser feliz
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