Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Erros e acertos

Quando erro, sofro.
Não apenas porque não gosto
Ou pelo prejuízo que recebo

Não, sofro por querer ser melhor
Porque minhas falhas me tornam menor
E me sinto minúsculo quando as cometo

Sofro por tua causa, minha amada.
Porque és tão bela e excelente!
És digna do amor de um rei
E da devoção do mais perfeito príncipe

Sempre que brigamos ou choramos
Ou quando errei e falhei contigo
Dor e tristeza foi o que senti
Como se fosse o pior dos homens

Quero te dar mais do que já te dei
E, para isso, preciso ser ainda maior
Ter um coração mais cheio de amor
E um caráter pleno de virtude

Quando erro, sofro.
Porque me sinto mais distante do meu alvo
De agradá-la e torná-la feliz

Mas, quando acerto...
E leio tuas palavras repletas de amor
E vejo o brilho faiscante em teu olhar

Ah, então meus pés tocam as nuvens
A alegria é tanta e tão intensa
Que meu peito mal consegue contê-la!

Pensar na eternidade ao teu lado
É um deleite e um sonho
Que vivo quando deito e quando acordo

Antes, personagens povoavam meus versos
Mas personagem algum conseguiria retratar
A complexidade maravilhosa de teu ser
A beleza incomparável que encontrei em ti

Por isso, já não és mais apenas uma dama
Ou mesmo princesa ou rainha
Porque são títulos pequenos demais
Para explicar-te e definir-te

És Renata, única e incomparável
Aquela a quem quero agradar
Pois mudaste-me a vida e o humor
Colorindo o que antes era sem vida

Que o Senhor se compadeça de mim
E me aperfeiçoe para ser teu consorte
O noivo que ilumina teus sonhos
Um esposo em quem Ele sente prazer

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Caminho

Queria que nosso caminho
Fosse uma estrada reta
Plana, sem curvas ou falhas
Para que nunca nos desviássemos


Mas a vida é cheia de curvas
Um caminho repleto de pedras
Com subidas aqui, descidas ali
E às vezes, acabamos tropeçando


Mas, mesmo quando caímos
É apenas para aproximar nossas mãos
Para que nos lembremos sempre
Do quanto precisamos um do outro


Com você, curvas, pedras e subidas
São apenas meros obstáculos
Que valorizam o sabor da nossa vitória
E realçam a beleza de nosso amor


Os riscos, ora grandes e ameaçadores
Já não me causam mais medo
Porque tua mão segurou a minha
E teus lábios derramaram palavras de amor


Quando tudo fica turvo e confuso
No azul de teus olhos encontro paz
Teu sorriso ilumina minhas trevas
E reencontro o caminho da felicidade


Louvado seja o Senhor, porque te achei
Porque és muito mais do que mereço
Que Ele nos una até o fim
E mesmo no além, sempre serei teu

Domingo, Agosto 16, 2009

A esperança de minha mulher

É questão de tempo agora
Posso sentir, tocar até
Em breve, serás meu novamente
E mergulharei em trevas o teu coração

É só esperar
Que a areia escorra de tuas mãos inúteis
Enquanto tentas segurá-la em vão
Aos poucos, elas logo estarão vazias

E então, serás meu,
Não importa o quanto fujas
Corres, corres e corres
E tornas a morrer em meus braços

Mas, consola-te, que nunca te deixo
Sentiremos juntos todas as dores da rejeição
Beberemos, sim e a largos sorvos
Todas as lágrimas de teus fracassos

Os teus queixumes os ouvirei a todos
Até que a amargura cubra, enfim, teu coração
E aí, sim, saberei com toda a certeza
Que eu, e somente eu, serei tua para sempre.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

Fiel companheira

Shhh...silêncio!
Não me digam mais nada,
Palavras não vão adiantar
Vão todos embora, deixem-me só!

Quero apenas minha fiel companheira
Que me amou desde o dia em que nasci
E me seguirá, todos os dias, até o fim
Quando dormirei, pra sempre, nos braços dela

Que ela me traga uma dose cheia de seu vinho
Carregada de lágrimas e frustrações, dores e ais
Para que eu beba tudo, de uma só vez
Quem sabe assim eu não esqueça a minha dor?

Se ninguém me entende, ela me compreendeu
Se os amores me deixam, ela sempre me consolou
Com sua taça de dores e seu abraço gélido
Ela, sim, de fato sempre me amou

Sábado, Julho 18, 2009

Não importa muito o quando ou o quem
A história sempre se repete, infalivelmente
Sua criatividade parece ter se exaurido
E lança sobre mim o mesmo desfecho

Já nem iço mais as velas
Pra quê recolher a âncora?
No final, é naufrágio
Como sempre foi, assim será

Se navego, é porque não me resta opção
Desisti dos tesouros e das glórias do mar
A única recompensa que ainda almejo
É ser liberto, o quanto antes, dessa rotina maldita

Até lá, navego...sem rumo ou esperança
Ciente que meus versos nada mudarão
E sequer serão lidos por quem eu gostaria
Palavras vazias, lançadas no vazio azul

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Olhos fechados

Achava que era a Tua mão a me guiar
E me conduzias pelos vales e montes
Que o cajado era Teu e que, quando preciso
Também ele viraria uma serpente

Mas agora já não sei mais
O que eu sei é que meu coração
Foi engolido inteiro pelas trevas
E meus olhos fecharam-se para a luz

Todo o peso do passado desabou sobre mim
E ódios e rancores que já havia esquecido
Voltaram dos mortos, a me assombrar
Despertos por quem achava que iria sepultá-los

E só restou o ceticismo
De quem, há muito, não crê em palavras
Daquele que foi arrastado ao tribunal
E, rancorosamente, encara o seu juízo

Se és assim, por que me enganaste?
Se não há perdão, se as acusações persistem
Então, que se dê logo a sentença
E removam, o quanto antes, a esperança

Fartei-me...de homens e suas palavras
A graça é bela quando não é nossa
A justiça é boa, quando não nos atinge
Os coerentes desapareceram da Terra

Se é olho por olho e dente por dente
Cegai-me, mas deixai-me com um olho
Para que, então, também eu tenha a vingança
E aí, sim, cerrai-me de vez nas trevas

Mas calai os homens e as suas mentiras
Porque só falamos quando, de fato, agimos
Palavras não passam de enganos
Ilusões para ocupar nossas mentes vazias

E se não consegui cuidar de mim
Por que, então, me dar um cajado?
Toma-o, tira-o, não o mereço
Nisso, como em tudo, fracassei, como sempre

Desviai de mim os olhos, que não sou exemplo
Não sei nem para onde devo ir
Quanto mais apontar o caminho aos demais?
Um cego não pode guiar os outros

Se há mesmo redenção, ajuda-me a vê-la
Porque não consigo mais ver cruz e ressurreição
É só escuro, trevas, cegueira
E o peso do pecado a esmagar-me

Sábado, Maio 02, 2009

Noite e escuridão

É sempre noite e escuridão
Por mais que brilhe o Sol ao meio-dia
Não vejo mais luz, nem sinto o calor
É sempre noite...e escuridão

A luz não ilumina mais, todos estão cegos
Os anciãos já não têm mais sabedoria
Ao invés de ver neles brilho e inteligência
Só percebo a busca incessante da conveniência

A verdade foi desprezada por quem deveria amá-la
Todos se apegam a mentiras e ilusões
Os enganadores são amados e aplaudidos
Os verdadeiros, rejeitados e ofendidos

Busco os sábios, mas não encontro respostas
Salvadores, e não os acho em lugar algum
São todos guias cegos, que não podem enxergar
E agora, até meus olhos são cobertos pelas trevas

Não importa para onde olhe ou o que faça
Dor e desespero, é tudo que encontro
O sentido se foi, assim como a esperança
O pesadelo tomou o lugar dos sonhos

Até o amor pereceu,
Virou apenas sexo e dinheiro
Eterno até o próximo divórcio
Firme, se esconderes teus defeitos

Multiplicaram-se os homens
E quase desapareceram os amigos
Falsos, bajuladores e interesseiros, desses há muitos
Mas fiéis e companheiros, esses, são mais raros que o diamante

E, por isso, não cessa a noite, ainda que seja dia
E nem mesmo o Sol escaldante do verão
Pode aquecer o frio sopro em meu coração
Tudo o que restou é apenas noite e escuridão